Idiot for one day (or all the life!)

8 de jul. de 2011



É interessante quando nos damos demais aos outros. Quando somos tolos demais. O que fazer quando se tem um monte de defeitos que não nos levam a lugar nenhum? Quando somos desorganizados com as nossas coisas mas quando se trata com das coisas dos outros, damos o maior valor, a maior importância. A grama do vizinho parece sempre mais verde. Quando a gente fala mal dos outros mas não enxerga os próprios erros. Ou simplesmente quando a gente tenta ajudar a todos ao mesmo tempo e esquecemos de nós mesmos. Quando não sabemos impor um limite nas coisas e deixamos tudo fluir avassaladoramente até chegar num ponto quase insustentável. Não sabendo dizer NÃO às pessoas que gostamos. Quando a gente confia demais numa pessoa até que quebramos a cara mas mesmo assim não deixamos de gostar dela. Quando fingimos tantas vezes sermos o que não somos, quando fingimos um sorriso para agradar alguém, quando a gente finge ser um super-homem ou uma mulher-maravilha aparentando sempre estar de bem com a vida, com aquele sorriso de comercial de margarina. Quando choramos por quem não merece nenhuma lágrima nossa. Porque somos simpáticos com aquelas pessoas antipáticas que não estão nem aí com a nossa boa educação? Porque sempre tentamos ser o melhor cara do mundo, quando na verdade, quem a gente quer que mais se importe com isso, não dá a mínima? Quando vivemos perdoando o outro, dando segundas, terceiras e quartas chances a um ser que não merecia nem a primeira. Sabe, é muito ruim quando somos psicólogos 0800 dos outros, sabemos lidar com as questões alheias, mas quando se trata de consertarmos o que está quebrado na gente, não sabemos a quem ou ao que recorrer. Ás vezes recorremos a pessoas que não ajudam em nada ou simplesmente em coisas que, putz, sem comentários. Deve ser assim mesmo. A gente nunca aprende as coisas da noita para o dia. Deve ser quebrando a cara que se aprende, como diz o velho ditado. Talvez o tempo nos ensine a crescer. Bordões e clichês à parte, é muito chato todas essas idagações e devaneios sem fim. Quem sabe essas anotações sirvam de algo que preste e faça com que eu mude essa vidinha medíocre.




Planos

1 de jul. de 2011








Planos são coisas legais, que nós fazemos quando queremos alcançar alguma meta, quando queremos atingir algum objetivo. Sem planos, nós, seres humanos, não seríamos nada. Afinal, a razão de existirmos é sempre termos em mente um passo a mais para dar, uma coisa a mais para se fazer, afim de obtermos sempre o melhor, aquilo que nos coloque em boa posição, "um lugar ao sol", como dizem. Mas ás vezes levamos a vida construída em planos, em projetos que nunca se concretizam, planejamos demais e esquecemos de viver.
Penso sempre que há dois modos de viver a vida: o modo egípcio e o modo grego. Os egípcios viviam suas vidas baseados num futuro, tipo, num futuro pós vida. Pensavam em sua morte e tal, como seria, como deveria ser, para onde iriam... Preparavam-se anos e anos, quase a vida toda se assim posso dizer, em prol de uma coisa que eles tinham fé, de viver bem na vida que viria depois. Já os gregos viviam a vida por viver, poderiam até acreditar que haveria alguma "vida pós morte" mas não se empatavam por isso, não paravam por aí. Gregos viviam, egípcios planejavam. Não digo aqui que devemos viver nossa vida numa zona absoluta de bagunça, festas e descompromissos. Falo de viver a vida como ela é, viver a vida em sua essência.
Viver mais e planejar menos. A vida dá e tira, constrói e destrói, e é curta demais para que gastemos ela debruçados sobre papéis, tecendo planos ou planejando um futuro incerto. Fazer isso é como tentar capturar o ar, é possível, mas incrivelmente difícil e sem um motivo interessante para que tamanha difícil tarefa seja feita. Ao invés de ficar debruçado em fazer planos para o futuro, se quiser realmente planejar algo, planeja a permanência do que já têm, para que não perca o que já têm enquanto constrói ainda mais. Planejar é falho, viver também, mas somos obrigados a viver, não a planejar.







Só para reflexão





"O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. Seja maduro, seja sempre o melhor que você puder ser. A única coisa imortal no homem é sua mente, pois seus ideais continuam por gerações e gerações, e é assim que conhecemos as grandes personalidades da história, por seus feitos. Portanto, faça o melhor que puder da sua maior e mais eficiente arma."



"Problemas não são obstáculos, mas oportunidades ímpares de superação e evolução.
O impossível só existiu até o dia em que inventaram a superação."
(Anônimo)





Vestir-se de si mesmo





Acho que todo mundo em algum momento da vida já ficou meio incomodado por ser um pouco diferente. Diferente de diversas formas, seja pensando, agindo, vestindo. Tipo, de ser realmente diferente e não seguir os estereótipos lançados pelos outros.

Quem nunca foi alvo de inúmeras piadinhas, inclusive na época de escola, só por ser considerado ‘esquisito’, ou diferente do que todo mundo é? Esses tipos de zombarias (termo: Bullying) leva a pessoa a ter crises existenciais, pensando se tudo aquilo que se tem feito na vida vai ser sempre menosprezado. Quando se tenta falar com os amigos, eles nem ligam e falam algo do tipo “Ahh, relaxa pô...” e dizem na cara ou indiretamente que tu só tem que mudar uma coisinha no seu estilo ou comportamento, ou modo de fazer as coisas, que seja. E é aí que está o erro. Então deixa eu adivinhar o que acontece depois: você tenta mudar para ser aceito, tenta se ‘corrigir’ para entrar no padrão, tenta agradar... Mas não conseguiu... E se sentiu bem pior depois, certo?

Acho que o motivo é bem simples. A gente não tem que tentar fugir da nossa essência. A gente pode até tentar fingir, ou realmente conseguir mudar por um determinado tempo, mas num certo momento você voltará a ser você mesmo.
Mas, “como é que vou conseguir ser feliz, sendo que todo mundo só me menospreza, me ridiculariza, tira onda de mim, etc... ?”

Revolucione e capte a idéia. A importância de tudo isso e se aceitar como se é de verdade. Ser diferente é massa, isso é sinal que você tem algo que te destaca de todos, que te torna diferente até o ponto de ser notado, reconhecido, ganhar destaque sobre os demais. Ou você quer continuar sendo igual à grande massa? Sem educação, ignorante, intransigente, trapaceiros... Você quer continuar sendo igual a eles?

Todo mundo tem capacidades que vão além do próprio conhecimento, a gente apenas não sabe o meio correto de explorar todo esse potencial, justamente pelo medo de sermos os melhores possíveis. E estar lá em cima, no topo não é nada fácil. Todos que estão por baixo (os que tem o mesmo medo) se acham melhor, te julgam, te difamam, mas eles tem medo de tentar.

Mas em troca disso, a recompensa, toda a satisfação pessoal por ser reconhecido como importante, único e especial na vida de alguém próximo da gente, aqueles que realmente nos dão importância, é algo impagável.

Cada um de nós é como uma estrela, pelo brilho que podemos irradiar. Cabe apenas a você escolher o que fazer com todo esse brilho, se vai ignorar o fato e ser mais um ponto no céu assim como todos, ou se vai querer brilhar intensamente, ficando fixo no céu e servindo de exemplo e incentivo para as outras estrelas (pessoas) formando assim uma imensa constelação na qual você se destaca.

Perceba que para você se destacar, a vida vai exigir de você, assim como exigiu daquelea que estão lá em cima e que você tanto admira. Pode perceber que a maioria só chegou lá depois de muito esforço, depois de sofrer muita coisa tão quanto você. É interessante entender também que se a vida exige tanto assim, devemos nos sentir orgulhoso de tudo isso, porque Deus só exige muito daqueles que têm a capacidade de vencer, de brilhar.
Be yourself...


Devaneio no metrô

30 de jun. de 2011

Hoje eu encontrei um amigo meu da escola quando estava no metrô. É interessante ver o quanto as pessoas mudam com o tempo. Bem, pra falar a verdade ele não era muito bem um amigo, daqueles que se possa contar faça chuva ou faça sol. Era um colega do tempo do colégio. A seriedade toma conta ás vezes quando vamos falar a alguém que faz anos que não vemos, é muito estranho. A feição muda um pouco, mas ainda se guarda aquela aparência adolescente de uns anos atrás. Não que eu tenha envelhecido significantemente, mas é uma sensação estranha...

- "Opa! Quanto tempo cara! Como vai? [aperto de mão e clássica tapinha nas costas]
- Blz pô e tu? Sumisse...
- Tô legal...  [silêncio avassalador] E a faculdade, concluindo?
- Nada, aindo tô no 4º período.
- Legal... [grilos ao fundo]
- Ahh, fazendo o quê da vida? Estudando, trabalhando, curtindo... [ E por aí seguiu nosso diálogo esplendoroso]

Bom, não faz mais que 4 ou 5 anos, mas a gente ainda fica com uma sensação de estranhamento. Parece que faltam palavras. Parece que aquelas tantas palavras e conversas se perderam com o tempo. Só ficou mesmo essa banal cordialidade de se perguntar como o outro está, como vão as coisas, a família e, dependendo do que for mais característico da pessoa em questão, a faculdade, a banda, o curso, o trabalho... É, mais uma vez o tempo. O tempo e seu impacto de afastamento, incrivel. Há uns anos atrás, essa cordialidade não existiria, afinal, não são todos os amigos que vivem perguntando sobre a família, trabalho, estudos e adjacências. Ele está presente, e torna-se dispensável que se faça qualquer tipo de ato formal. Melhor dizendo, talvez essa pessoa seja mais uma entre tantos outros amigos e colegas do passado que encontrarei no metrô, na fila do cinema, na loja de departamento escolhendo um par de meias ou um dvd. Com o tempo, essa quantidade de encontros e desencontros só tende a aumentar, pois conforme o tempo vai passando, mais pessoas são incluídas em nosso meio, mesmo que a gente não queira. Mudando o lado do espelho, falando de desencontros, ainda acho estranho a saída das pessoas da minha vida. Não me refiro à morte, mas sim de um afastamento social, por diversas razões. Talvez se eu fosse um carinha que mantivesse sempre aquele círculo fechado de amizades, que tivesse mantido pelo menos um primeiro grupo de amigos, não teria me aproximado tanto das pessoas que conheço atualmente, ou talvez nem as conhecesse. É impossível substituir a perda dos velhos amigos com novos amigos. Logo vem lembranças na cebeça, a nostalgia toma conta e não se consegue evitar de ficar, nem que seja por alguns segundos, um pouco triste e abalado com a separação. Já tive amigos com quem convivia quase que diariamente. Falávamos de tudo, de música, de filme, de livros. Falávamos dos outros, de política e religião. De ETs, de sexo e tecnologia. Em alguns momentos, quando estávamos altamente reflexivos sobre certos assuntos, chegávamos a filosofar sobre a vida e sobre o além da imaginação. Daí essa acostumação se quebra. Uns viajam para outra cidade e o contato se torna cada vez mais raro, outros se casam e mudam o jeito, e outros simplesmente mudam as suas personalidades, fazendo com que tudo aquilo que foi vivido um dia, se torne simplesmente mais um dia em suas vidinhas simples. Não há muito o que se fazer. É meu caro, a vida continua, como diz o famoso clichê fúnebre. Claro que as pessoas com quem eu tenho contato atualmente e me relaciono muito bem, por sinal, são muito legais e tem seus graus de importância. Mas aquelas pessoas do passado são insubstituíveis, elas tinham um jeito próprio que se adequavam ao meu jeito. Talvez se adequaram por simples convivência, como acontece com aquelas famílias do Oriente Médio, que se tornam amigas porque a convivência de anos possibilita isso. As atuais também são, mas ainda é preciso muito tijolo para que se construa um castelo estável e significativo chamado Amizade Incondicional. É preciso muito tijolo para que, se um dia este castelo venha a se tornar um simples prédio abandonado, ou mesmo vire ruínas, que essas ruínas se tornem patrimônios, que sejam valorizadas pelo menos em respeito ao passado vivido. Queria muito ter a coragem de dizer que sinto falta das pessoas na cara delas, mas não o faço. Sinto receio de que meu sentimento não seja recíproco, e que a pessoa esteja em outra fase e me ache um idiota que ainda vive de um passado quase infantil. As pessoas dizem que a entrada e a saída das pessoas nas nossas vidas é algo absoluamente normal, mas por favor, não me peçam para concordar com isso. É muito chato. Hoje, procuro manter um nível de amigos le(g)ais ao meu redor, manter aquelas pessoas que relamente tem algo a agregar, algo que me agrade (não, nessa parte não sou interesseiro, pois não me refiro aqui de agregar valores materiais). Por vezes fui anti-social. Por vezes já tive amigos por interesse. Por vezes já fui amoroso demais com quem não merecia e quebrei a cara. Hoje tento ser o mais fiel e menos hipócrita possível (sim, sim, menos hipócrita, afinal todos somos, mesmo que involuntariamente, e quem sou eu para negar?). Quam sabe um dia, quando aquele castelo sobre o qual me referi se torne simples paredes abandonadas, quem sabe um dia minha lembrança nos outros seja constante o tanto quanto a deles é em minha memória. Não foi preciso encontrar alguém no metrô para chegar a essa conclusão. Foi só um fugaz devaneio do passado. A vida segue em frente brother.






Escrevo

2 de jun. de 2011
Às vezes escrevo só para espantar o tédio. Tentar preencher aquelas horas em que não há nada de interessante para se fazer. Quando começo a escrever, as idéias fluem como o sangue que pulsa nas minhas veias. São tantas idéias, tantos fatos, tantas coisas nunca antes mencionadas, ainda mais publicamente. É como se eu estivesse só (e realmente estou), mas só num sentido como se não me importasse com o mundo ao meu redor naquele momento. Como não fizesse diferença se lá fora estivesse chovendo, se amanhã de manhã tivesse que acordar cedo, se deixei de ligar para alguém... Torno-me um ser totalmente em transe. Não me prendo a mais nenhum valor quando escrevo. Não me importo em dizer um puta-palavrão-fuderoso-pra-karalho sabendo que amigos mais puritanos estão a ler isso e concordam entre eles que não é hábito meu utilizar “termos inadequados que não convém com minha tímida personalidade”. Mas é isso, na maioria das vezes ajo impulsivamente, embora uma coisa seja escrever, outra coisa seja divulgar aquilo que foi escrito. É que me dá agonia sentir que estou corrompido em não usar um termo que não agradaria a certas pessoas, afinal, o texto é meu, é livre de pensamento e natural.

É como se quisesse escrever para mim mesmo, para que assim, eu me visse no que foi escrito. Tipo aquela sensação que se tem quando a gente vê um filme no qual o personagem principal tem a nossa cara, ou quando a gente escuta aquela música que conta toda história de um amor do passado que ainda mexe conosco.
Sei lá, parece loucura. É verdade que, mesmo sem se importar, ocorre o inverso e acabo me importando. Em todo o contexto me avalio, me regrando com normas e parâmetros a serem seguidos para que as pessoas que me conhecem ‘superficialmente bem’ não se espantem com um ser que elas não estavam acostumadas a ver falando e se expressando de tal modo. É que escrever é bem mais interessante, te leva pra outro mundo, atravessa a barreira do teu subconsciente e te faz lembrar de coisas que quando estamos na rotina estafante do dia-a-dia  não demos a mínima atenção. Embora às vezes canse e te falte palavras para expressar o que é verdadeiramente sentido naquele momento. Mas é aí que está o legal da história: ser prolixo. Isso mesmo, tentar rebuscar e ornamentar as palavras, até que um daqueles adjetivos impostos possa causar ambigüidade, mas sem tirar o sentido geral da historia. Sei lá... Escrevo e não me importo. Só me arrependo de não ter começado antes.





"Foi mais que uma surpresa, foi um choque. encontrar alguém falando que escrever é acima de tudo um ato de coragem. Coragem de se expor, de se arriscar. De olhar para dentro de nós mesmos e descobrir o outro, porque não existimos sem essa relação. Escrever é uma forma de falar aquilo que não pode ser dito. É mostrar o que muitas vezes não queremos em nós mesmos e dar para o leitor, como um presente feio e sujo, alguma coisa que entregamos sem esperar nada em troca. escrever é não deixar que o peso caia sobre nossas costas, porque o verdadeiro escritor é aquele que usa as palavras para se denunciar e denunciar o que o leitor nunca teria coragem de falar." 
(Do filme Bruna Surfistinha)

Numb for one day


Tudo um caos. Uma grande bosta. São muitas idéias aleatórias que surgem praticamente do nada em direção a algo que eu ainda não sei. Nem sei como fugir de tudo isso. Uma bagunça. Escrevo numa tentativa quase frustrada de me organizar, mas nem ta adiantando muito não. Nem relato para que leiam e opinem, menos ainda que critiquem meu modo de ser ou agir. Na verdade nem tinha a intenção de mostrar nada, é só mais um desabafo instintivo feito numa folha de rascunhos.
Eles estão certos, eu sei disso. Mas como posso dar razão a eles se meu pensamento não me dá escolhas suficientes para começar a mudar?
Ciente de que tenho que tomar um primeiro passo eu estou. Fora desta porta eles discutem. Atrás da parede fria e mal pintada, falam aos berros. Falam de soluções, mudanças. Citam a vida alheia como exemplos a serem seguidos, ou não. Querem me mudar. Sei que tô errado, é fato. Mas por trás de todo meu erro ainda sinto que existe uma razão. Talvez seja ilusão ou prepotência de alguém que não queira assumir que está totalmente errado. Nem sei mais. Nem sei mais de nada. Só quero que isso pare. Que saco!
Sabe, ás vezes me vejo num filme, daqueles bem singulares, como de Almodóvar, sendo um personagem banal, talvez um "semi-coadjuvante", se é que isso existe. Aquele sujeito que só aparece em algumas cenas bem fúteis. Só vive inerte, nem sente o meio em que está. Só mais uma massa corporal no meio de tantos outros desinteressantes, tal qual uma versão masculina da Macabéa, em A Hora da Estrela, de Lispector.  Nunca estive assim, ou já estive, mas nunca tive percepção e coragem para expressar nem que fosse num rascunho idiota como este. Tenho raiva, mas também não vou extravasá-la dando murros na parede, me sufocando aos gritos no travesseiro nem fumando inconscientemente até meus dentes caírem de podres... Não tenho mais perfil de adolescentezinho rebelde sem causa decente. Aliás, nunca tive. É tanta contradição no que digo que nem eu mesmo ás vezes me entendo. Só sei que meu estômago dói, a boca ta seca e a cabeça zonza como e tivesse ressacado, embora entorpecentes causem bem mais que isso.
Ouço o barulho do relógio indicando que as horas passam e eu nem aí. Um brega toca na rua de trás. Talvez mais um playboyzinho de merda com o som do carro ligado, bêbado, sem se importar com o sono dos outros. Ah, quem se importa mesmo?
Cansei de escrever. Basta. Fatos supérfluos descritos em letra borrada não me levam a nada, só a idéia de que to aqui perdendo tempo pra não ter que fazer alguma coisa mais útil. Sei que o sol nascerá amanhã normalmente e a rotina recomeçará, mas só queria que isso parasse. Só por hoje. Alguém tem um tarja preta aí?



Breve comentário sobre a rotina

8 de mai. de 2011
A nossa mente nunca se paralisa de vez, não fica estagnada apenas no dia atual, a projeção das coisas é inevitável. O ser humano projeta, planeja, programa, combina... E vai sempre construindo seu próprio mundo, traçando uma trajetória aparentemente sem fim, como a vista de um passarinho sobre o horizonte à sua frente. A rotina em hipótese alguma seria indefinida: mudam todas as coisas que fazem parte da circunstância, se passam as idades, se chega o envelhecimento e logo em seguida, a morte, a do outro e a nossa, claro. Quando cai a ficha, sobretudo em relação à felicidade (ou à felicidade que não se teve), se imagina e projeta, mas se percebe que não seria possível continuar sem parar. O cotidiano, embora fatídico, dá uma breve ilusão de eternidade: se o cara faz todos os dias a mesma coisa, ele tem a impressão de que fará aquilo pra sempre. Logicamente não é verdade. O cara sabe. Mas essa rotina finge uma breve ilusão de perenidade, sem a qual a vida seria uma angústia sem fim.


As escolhas de uma vida




A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: 'Nós somos a soma das nossas decisões'. Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: A gente é o que a gente escolhe ser, O destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, Ao fazer uma opção, Estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar 'minha vida'. Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, Se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: Namora-se um, outro, e mais outro, Num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é Preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, Apenas vivenciando amores E deixando-os ir embora quando se findam, Ou casar, e através do Casamento fundar uma microempresa, Com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades. As duas opções têm seus prós e contras: Viver sem laços e viver com laços... Escolha: Beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, Mas há um preço a pagar por elas. Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, Ser casados de segunda a sexta E solteiros nos finais de semana, Ter filhos quando se está bem-disposto E não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, Ouvir os outros, Estagiar em várias tribos, Prestar atenção ao que Acontece em volta e não Cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, Elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e Trocar de caminho, Ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do Caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto. Não deixe de fazer nada que queira, Mas tenha responsabilidade e maturidade Para arcar com as conseqüências destas ações. Lembrem-se: Suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, Mas também 50% de chance de darem errado. 'É preciso muita coragem para enfrentar seus inimigos. Mas é preciso ainda mais coragem para enfrentar seus amigos.' Às vezes, é preciso esquecer um pouco a pressa e prestar mais atenção em todas as direções ao longo do caminho. A pressa cega os olhos. E deixamos de observar tantas coisas boas e belas que acontecem ao nosso redor. Às vezes, o que precisamos está tão próximo... Passamos, olhamos, mas não enxergamos. Não basta apenas olhar. É preciso saber olhar com os olhos, enxergar com a alma e apreciar com o coração. O primeiro passo para existir é imaginar. O segundo é nunca se esquecer de que querer fazer é poder fazer, basta acreditar.  (Pedro Bial)

"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. 
Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, 
portanto hoje é o dia certo para amar, 
acreditar, fazer e principalmente
viver."  (Mahatma Ghandi)

O Tempo e sua índole quase humana

3 de mai. de 2011
A índole do Tempo é difícil. Ele é mais pálido que o irmão, o Espaço, mais irrequieto, mais misterioso, mais difícil de penetrar, de julgar e de conhecer. Mais inteligente também. E menos confiável. É personagem cruel, nervoso, volúvel, propenso ao paradoxo, de instabilidade doentia. Dele se pode dizer que dorme com um olho aberto, está sempre com um pé atrás ou fora e não perde oportunidade de deixar a companhia e ir-se porque se entediou. Confiar nele é loucura a que muitos se deixam levar.
Esse indivíduo instável, tão pouco digno de confiança, sexualmente mal resolvido, dado a todos os vícios e a todas as drogas, é sedutor profissional. Noite adentro, com luz de velas, conta histórias maravilhosas em que o amor se mescla à guerra, as quais o mais das vezes terminam mal. Diferentemente do irmão, transbordante de saúde, um tanto corado, sempre criança, pode-se dizer que o tempo não tem idade. Ele chega, aqui ou ali, a dar cambalhotas como um jovem. De súbito está muito velho. É capaz, contudo, de seduzir quem ele queira. E não se priva desse dom. Dons, ademais, não lhe faltam – tem todos. Usa-os, abusa-os. Não pára de elaborar projetos e de construir magníficos castelos no ar, destinados a desaparecer. O cúmulo é que chega a tomar verdadeiramente o poder, a fazer verdadeiramente fortuna e a conhecer o verdadeiro amor. É tão imprevisível, que dele sequer é possível desconfiar completamente.
Ele não é bom de amar. Tem um fraco pela morte, pelos fins trágicos, pelas paixões que sucubem e pelas demoradas ruínas. Pergunta-mo-nos por vezes se não está possuído pelo mal. Esse rapaz tão sedutor, que se confunde com o entusiasmo e com a esperança, tem um lado demoníaco. Por suas terras, tão imensas, também elas, que não se lhes vê o fim, nunca se passa duas vezes. Ele convida uma vez, com muito encanto e satisfação. A primeira estada, todavia, também é a última. Que não se acalente a esperança de voltar: “A meus domínios”, declara ele com odiosa soberba, “não se volta jamais”.
Pode-se suspeitar que o tempo seja dotado de poder algo secreto, insidioso, desmedido. Ele vangloria-se com muito gosto, e talvez sem falsidade, de dominar a todos os que têm a sorte ou o azar – como saber com ele? – de cair em seus domínios. Atribuem-se-lhe crimes inomináveis. Mas também muitos êxitos. Ele é quase sempre sombrio e sinistro, mas também sabe ser alegre e jovial. Transborda de idéias, de receitas, de lembranças, de histórias arrepiantes e de contos de fadas para as crianças. Todos os que têm projetos, empreendimentos, esperanças, bem como temores, procuram-no para que os auxilie. É fabricante de sonhos, doador de conselhos, emprestador também, e ilusionista, e agitador. É tão contraditório, que uns afirmam que ele os entedia e lhes provoca bocejos, enquanto outros o vêem, ao contrário, como animador prodigioso, mercador de ilusões e armadilhas, lanterna da noite e luz da esperança, professor de energia, mestre em quase todas as coisas. Profeta e mentor. Ninguém é mais misterioso. Nada mais enigmático. Nada mais fascinante.

Jean d’Ormesson, Quase nada sobre quase tudo (Record, pg. 32, ligeiramente adaptado)

Nostalgia em dia de chuva


Em Casa. Aqui estou eu mais uma vez, tentando recorrer a mais um assunto banal para tentar preencher o tempo de ócio no qual não quero me debruçar sobre apostilas e estudar para os concursos públicos da vida. Chove bastante lá fora e no noticiário vejo todos os transtornos e tragédias trazidas pela chuva. Percebo que a cada dia que se passa, o tempo fica pior, mais intenso. Quando chove, é demais, até o ponto de muita gente morrer. Quando faz calor, nem se fala, insuportável. Talvez seja um fato de viver num país abaixo dos trópicos ou mesmo pelas mudanças decorrentes do aquecimento global. Bom, infelicidades à parte, enquanto neva na Jamaica e esquimós chupam picolé de pitanga em Guiné Bissau ao som de Björk, eu to aqui em casa, em frente a esse monitor empoeirado que a rotina ou a preguiça (ah preguiça...) não me deixou de limpar. Arrumo uns papéis. Desço a escada. Pego biscoito e achocolatado e sento no chão da sala vendo tv e a chuva batendo na janela incansavelmente num sinjelo convite pra 'ficar em casa'. Então aqui estou. Haveria lugar mais aconchegante para se estar senão em sua própria casa pensando e remexendo lembranças infantis?
Começo a lembrar quando era pequeno, na casa da minha avó... Os domingos das férias no interior. Vinha meu primo que acabara de fazer ovos fritos e café trazido em xícaras de plástico, daquelas que ficam gosto mesmo lavando, que os nossos pais dão a gente com medo que a gente quebrasse se elas fossem de vidro ou porcelana, ou talvez porque não achassem que fossemos dignos de usar algum outro tipo que não fosse estas, pra facilitar pelas cores, até. Sentávamos-nos à mesa, que ficava numa varandinha pro quintal. Dava pra sentir aquele cheiro da terra quando a chuva batia. Dava pra sentir o cheiro (fedor na verdade) das galinhas que ficavam protegidas da chuva num depósito de tijolos e telhas para a reforma do banheiro. A lama, a grama, os cheiros. Tudo isso ainda permanece vivo em minha mente de um tempo onde não havia a opressão esmagadora do tempo e suas obrigações diárias, de um tempo de infantilidade, inocência, em que qualquer coisa era motivo pra festa ou berro desnecessário.
Doce tempo que não volta mais. Lamentar sobre isso, como fazem os poetas, acho balela. Só quero dizer sobre como as coisas mudam, ou seja, parece até que foi ontem que estive naquele local, com pessoas que hoje já não convivem mais comigo. E hoje aqui, quase 15 anos depois falando sobre algo que pensava que nunca teria relevância. E qual seria esta relevância? Não passou de um domingo de chuva banal durante um café-da-manhã familiar, right? Mais do que isso. Durante a chuva intensa de Junho, aquela casa antiga e sem luxo se tornava acolhedora. Era um ambiente onde éramos nós mesmos. Não que em algum momento fingíssemos algo a alguém, mas aquela cozinha, aqueles cheiros de tempero do almoço em preparo, parece que havia algo mágico, que fazia com que nos uníssemos mais do que em qualquer outra data específica, como o natal, por exemplo. Falávamos do passado, de um tio que matou um gato-do-mato que comia as galinhas, de um manequim de loja roubado pelo meu avô pra dar susto na minha avó, de cumade fulôzinha (é assim mesmo que se escreve), chupa-cabra e outras aberrações que nos intimidavam, do prefeito da cidade vizinha que traiu a mulher com o cunhado, de uma tia gorda diabética que não parava de comer doce, da imensidão do mar pros que não conhecem, de amendoins a meteoros, de cigarros a encanamentos... Enfim, mil histórias e fatos passados que fez daquele momento algo único, eternizado em minha mente com toda a simplicidade de uma vida campestre. Não, não confundam. Eu não curto viver no campo. Embora acordar com buzina de carro não seja nem um pouco agradável quanto se acordar com som de galo cantando e tilintar de talheres na cozinha, a vida no campo não me agrada tanto. Ainda prefiro a agitação humana de um ambiente urbano.
Aquele momento no interior foi singular. Quando me recordo, aprendo a valorizar as coisas mais simples da vida, valorizar as pessoas, mesmo as mais ignorantes, se assim as posso chamar. Elas também têm algo a falar, algo de útil, embora não pareça à primeira vista. É bom ouvir, se aprende mais. A chuva batendo no telhado me trouxe isso. Talvez esse seja este, o de fazer lembranças vir à tona, o seu mais nobre motivo num momento nostálgico. Todo esse tédio umidecido que ela traz quando não a desejamos, camufla sua principal atuação: ela traz vida, faz crescer não só as plantas, mas sim germinar algo aqui dentro que às vezes não falamos para o outro por falta de tempo, ou oportunidade, ou coragem na cara. Considerando que a casa, o ambiente físico, seja uma semente, o que está dentro dela, as pessoas, tendem a ficar mais maleáveis e pacientes, ouvimos mais. Da forma que uma semente germina e cresce, assim seríamos nós perante a chuva. Ficar em casa, em standby, faz com que a aproximação entre as pessoas se torne mais forte, conversa-se mais, rir-se mais, conseguimos descobrir mais sobre uma pessoa num momento simples de conversa do que numa convivência de vinte anos. Isso é incrivelmente verdade, é só experimentar. Então, que a janela embace e a lama suje meus pés. Quero mais que chova... 
 



Andei pensando...


De uns dias pra cá eu venho percebendo que tem uma hora na nossa vida, que a gente desperta para o mundo, como se tivéssemos num sonho adormecido. É estranho... Aí a gente busca lá dentro uma força tão grande, uma expectativa esperançosa de ver nossos sonhos realizados. É um momento só nosso, um momento de carência, de solidão, de ilusão (talvez) e uma vontade louca de encontrar alguém que se perdeu no tempo, que há muito tempo não vemos, mas que se encontra presente  em nossa mente no atual momento. O interessante disso tudo é poder se observar, fazer uma auto-análise. Valorizar o que se tem de bom para oferecer, ouvir alguém que tem algo importante a dizer, ouvir os mais velhos, pois nem sempre damos a devida atenção que deveríamos dar. Ter consciência do nosso grau de importância, porque somos únicos neste mundo. Algumas vezes, falamos para nós mesmos que não sabemos o significado da palavra amor, mas podemos senti-lo. Não me refiro aqui apenas a amor entre namorados, um homem e uma mulher e tal... Digo de todas as formas inimagináveis, em todas as dimensões. Podemos valorizar este sentimento por cada carícia e carinho, por cada gesto atencioso, por cada sorriso mostrado e bem praticado. Se existe alguém especial, esse alguém é você. Sou eu. Somos nós. Pois estamos acima do bem do mal. Muitas vezes, o bem e o mal estão dentro da gente mesmo, não somos apenas influenciados por essa sociedade arbitrária que está aí fora, pois nem tudo é só influência. Mas o mais importante é que a gente saiba eliminar este mal, agindo de maneira consciente sem prejudicar ninguém. Nem sei se o que eu to dizendo faz algum sentido, pode ser apenas força de expressão, mas percebo que tem um fundo de verdade


O bem e o mal ás vezes está dentro de nós, coagindo-nos a fazer coisas que não imaginávamos que poderíamos fazer. Isso vale para as duas percepções.  

 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...