Hoje eu encontrei um amigo meu da escola quando estava no metrô. É interessante ver o quanto as pessoas mudam com o tempo. Bem, pra falar a verdade ele não era muito bem um amigo, daqueles que se possa contar faça chuva ou faça sol. Era um colega do tempo do colégio. A seriedade toma conta ás vezes quando vamos falar a alguém que faz anos que não vemos, é muito estranho. A feição muda um pouco, mas ainda se guarda aquela aparência adolescente de uns anos atrás. Não que eu tenha envelhecido significantemente, mas é uma sensação estranha...
- "Opa! Quanto tempo cara! Como vai? [aperto de mão e clássica tapinha nas costas]
- Blz pô e tu? Sumisse...
- Tô legal... [silêncio avassalador] E a faculdade, concluindo?
- Nada, aindo tô no 4º período.
- Legal... [grilos ao fundo]
- Ahh, fazendo o quê da vida? Estudando, trabalhando, curtindo... [ E por aí seguiu nosso diálogo esplendoroso]
Bom, não faz mais que 4 ou 5 anos, mas a gente ainda fica com uma sensação de estranhamento. Parece que faltam palavras. Parece que aquelas tantas palavras e conversas se perderam com o tempo. Só ficou mesmo essa banal cordialidade de se perguntar como o outro está, como vão as coisas, a família e, dependendo do que for mais característico da pessoa em questão, a faculdade, a banda, o curso, o trabalho... É, mais uma vez o tempo. O tempo e seu impacto de afastamento, incrivel. Há uns anos atrás, essa cordialidade não existiria, afinal, não são todos os amigos que vivem perguntando sobre a família, trabalho, estudos e adjacências. Ele está presente, e torna-se dispensável que se faça qualquer tipo de ato formal. Melhor dizendo, talvez essa pessoa seja mais uma entre tantos outros amigos e colegas do passado que encontrarei no metrô, na fila do cinema, na loja de departamento escolhendo um par de meias ou um dvd. Com o tempo, essa quantidade de encontros e desencontros só tende a aumentar, pois conforme o tempo vai passando, mais pessoas são incluídas em nosso meio, mesmo que a gente não queira. Mudando o lado do espelho, falando de desencontros, ainda acho estranho a saída das pessoas da minha vida. Não me refiro à morte, mas sim de um afastamento social, por diversas razões. Talvez se eu fosse um carinha que mantivesse sempre aquele círculo fechado de amizades, que tivesse mantido pelo menos um primeiro grupo de amigos, não teria me aproximado tanto das pessoas que conheço atualmente, ou talvez nem as conhecesse. É impossível substituir a perda dos velhos amigos com novos amigos. Logo vem lembranças na cebeça, a nostalgia toma conta e não se consegue evitar de ficar, nem que seja por alguns segundos, um pouco triste e abalado com a separação. Já tive amigos com quem convivia quase que diariamente. Falávamos de tudo, de música, de filme, de livros. Falávamos dos outros, de política e religião. De ETs, de sexo e tecnologia. Em alguns momentos, quando estávamos altamente reflexivos sobre certos assuntos, chegávamos a filosofar sobre a vida e sobre o além da imaginação. Daí essa acostumação se quebra. Uns viajam para outra cidade e o contato se torna cada vez mais raro, outros se casam e mudam o jeito, e outros simplesmente mudam as suas personalidades, fazendo com que tudo aquilo que foi vivido um dia, se torne simplesmente mais um dia em suas vidinhas simples. Não há muito o que se fazer. É meu caro, a vida continua, como diz o famoso clichê fúnebre. Claro que as pessoas com quem eu tenho contato atualmente e me relaciono muito bem, por sinal, são muito legais e tem seus graus de importância. Mas aquelas pessoas do passado são insubstituíveis, elas tinham um jeito próprio que se adequavam ao meu jeito. Talvez se adequaram por simples convivência, como acontece com aquelas famílias do Oriente Médio, que se tornam amigas porque a convivência de anos possibilita isso. As atuais também são, mas ainda é preciso muito tijolo para que se construa um castelo estável e significativo chamado Amizade Incondicional. É preciso muito tijolo para que, se um dia este castelo venha a se tornar um simples prédio abandonado, ou mesmo vire ruínas, que essas ruínas se tornem patrimônios, que sejam valorizadas pelo menos em respeito ao passado vivido. Queria muito ter a coragem de dizer que sinto falta das pessoas na cara delas, mas não o faço. Sinto receio de que meu sentimento não seja recíproco, e que a pessoa esteja em outra fase e me ache um idiota que ainda vive de um passado quase infantil. As pessoas dizem que a entrada e a saída das pessoas nas nossas vidas é algo absoluamente normal, mas por favor, não me peçam para concordar com isso. É muito chato. Hoje, procuro manter um nível de amigos le(g)ais ao meu redor, manter aquelas pessoas que relamente tem algo a agregar, algo que me agrade (não, nessa parte não sou interesseiro, pois não me refiro aqui de agregar valores materiais). Por vezes fui anti-social. Por vezes já tive amigos por interesse. Por vezes já fui amoroso demais com quem não merecia e quebrei a cara. Hoje tento ser o mais fiel e menos hipócrita possível (sim, sim, menos hipócrita, afinal todos somos, mesmo que involuntariamente, e quem sou eu para negar?). Quam sabe um dia, quando aquele castelo sobre o qual me referi se torne simples paredes abandonadas, quem sabe um dia minha lembrança nos outros seja constante o tanto quanto a deles é em minha memória. Não foi preciso encontrar alguém no metrô para chegar a essa conclusão. Foi só um fugaz devaneio do passado. A vida segue em frente brother.












