Devaneio no metrô

30 de jun. de 2011

Hoje eu encontrei um amigo meu da escola quando estava no metrô. É interessante ver o quanto as pessoas mudam com o tempo. Bem, pra falar a verdade ele não era muito bem um amigo, daqueles que se possa contar faça chuva ou faça sol. Era um colega do tempo do colégio. A seriedade toma conta ás vezes quando vamos falar a alguém que faz anos que não vemos, é muito estranho. A feição muda um pouco, mas ainda se guarda aquela aparência adolescente de uns anos atrás. Não que eu tenha envelhecido significantemente, mas é uma sensação estranha...

- "Opa! Quanto tempo cara! Como vai? [aperto de mão e clássica tapinha nas costas]
- Blz pô e tu? Sumisse...
- Tô legal...  [silêncio avassalador] E a faculdade, concluindo?
- Nada, aindo tô no 4º período.
- Legal... [grilos ao fundo]
- Ahh, fazendo o quê da vida? Estudando, trabalhando, curtindo... [ E por aí seguiu nosso diálogo esplendoroso]

Bom, não faz mais que 4 ou 5 anos, mas a gente ainda fica com uma sensação de estranhamento. Parece que faltam palavras. Parece que aquelas tantas palavras e conversas se perderam com o tempo. Só ficou mesmo essa banal cordialidade de se perguntar como o outro está, como vão as coisas, a família e, dependendo do que for mais característico da pessoa em questão, a faculdade, a banda, o curso, o trabalho... É, mais uma vez o tempo. O tempo e seu impacto de afastamento, incrivel. Há uns anos atrás, essa cordialidade não existiria, afinal, não são todos os amigos que vivem perguntando sobre a família, trabalho, estudos e adjacências. Ele está presente, e torna-se dispensável que se faça qualquer tipo de ato formal. Melhor dizendo, talvez essa pessoa seja mais uma entre tantos outros amigos e colegas do passado que encontrarei no metrô, na fila do cinema, na loja de departamento escolhendo um par de meias ou um dvd. Com o tempo, essa quantidade de encontros e desencontros só tende a aumentar, pois conforme o tempo vai passando, mais pessoas são incluídas em nosso meio, mesmo que a gente não queira. Mudando o lado do espelho, falando de desencontros, ainda acho estranho a saída das pessoas da minha vida. Não me refiro à morte, mas sim de um afastamento social, por diversas razões. Talvez se eu fosse um carinha que mantivesse sempre aquele círculo fechado de amizades, que tivesse mantido pelo menos um primeiro grupo de amigos, não teria me aproximado tanto das pessoas que conheço atualmente, ou talvez nem as conhecesse. É impossível substituir a perda dos velhos amigos com novos amigos. Logo vem lembranças na cebeça, a nostalgia toma conta e não se consegue evitar de ficar, nem que seja por alguns segundos, um pouco triste e abalado com a separação. Já tive amigos com quem convivia quase que diariamente. Falávamos de tudo, de música, de filme, de livros. Falávamos dos outros, de política e religião. De ETs, de sexo e tecnologia. Em alguns momentos, quando estávamos altamente reflexivos sobre certos assuntos, chegávamos a filosofar sobre a vida e sobre o além da imaginação. Daí essa acostumação se quebra. Uns viajam para outra cidade e o contato se torna cada vez mais raro, outros se casam e mudam o jeito, e outros simplesmente mudam as suas personalidades, fazendo com que tudo aquilo que foi vivido um dia, se torne simplesmente mais um dia em suas vidinhas simples. Não há muito o que se fazer. É meu caro, a vida continua, como diz o famoso clichê fúnebre. Claro que as pessoas com quem eu tenho contato atualmente e me relaciono muito bem, por sinal, são muito legais e tem seus graus de importância. Mas aquelas pessoas do passado são insubstituíveis, elas tinham um jeito próprio que se adequavam ao meu jeito. Talvez se adequaram por simples convivência, como acontece com aquelas famílias do Oriente Médio, que se tornam amigas porque a convivência de anos possibilita isso. As atuais também são, mas ainda é preciso muito tijolo para que se construa um castelo estável e significativo chamado Amizade Incondicional. É preciso muito tijolo para que, se um dia este castelo venha a se tornar um simples prédio abandonado, ou mesmo vire ruínas, que essas ruínas se tornem patrimônios, que sejam valorizadas pelo menos em respeito ao passado vivido. Queria muito ter a coragem de dizer que sinto falta das pessoas na cara delas, mas não o faço. Sinto receio de que meu sentimento não seja recíproco, e que a pessoa esteja em outra fase e me ache um idiota que ainda vive de um passado quase infantil. As pessoas dizem que a entrada e a saída das pessoas nas nossas vidas é algo absoluamente normal, mas por favor, não me peçam para concordar com isso. É muito chato. Hoje, procuro manter um nível de amigos le(g)ais ao meu redor, manter aquelas pessoas que relamente tem algo a agregar, algo que me agrade (não, nessa parte não sou interesseiro, pois não me refiro aqui de agregar valores materiais). Por vezes fui anti-social. Por vezes já tive amigos por interesse. Por vezes já fui amoroso demais com quem não merecia e quebrei a cara. Hoje tento ser o mais fiel e menos hipócrita possível (sim, sim, menos hipócrita, afinal todos somos, mesmo que involuntariamente, e quem sou eu para negar?). Quam sabe um dia, quando aquele castelo sobre o qual me referi se torne simples paredes abandonadas, quem sabe um dia minha lembrança nos outros seja constante o tanto quanto a deles é em minha memória. Não foi preciso encontrar alguém no metrô para chegar a essa conclusão. Foi só um fugaz devaneio do passado. A vida segue em frente brother.






Escrevo

2 de jun. de 2011
Às vezes escrevo só para espantar o tédio. Tentar preencher aquelas horas em que não há nada de interessante para se fazer. Quando começo a escrever, as idéias fluem como o sangue que pulsa nas minhas veias. São tantas idéias, tantos fatos, tantas coisas nunca antes mencionadas, ainda mais publicamente. É como se eu estivesse só (e realmente estou), mas só num sentido como se não me importasse com o mundo ao meu redor naquele momento. Como não fizesse diferença se lá fora estivesse chovendo, se amanhã de manhã tivesse que acordar cedo, se deixei de ligar para alguém... Torno-me um ser totalmente em transe. Não me prendo a mais nenhum valor quando escrevo. Não me importo em dizer um puta-palavrão-fuderoso-pra-karalho sabendo que amigos mais puritanos estão a ler isso e concordam entre eles que não é hábito meu utilizar “termos inadequados que não convém com minha tímida personalidade”. Mas é isso, na maioria das vezes ajo impulsivamente, embora uma coisa seja escrever, outra coisa seja divulgar aquilo que foi escrito. É que me dá agonia sentir que estou corrompido em não usar um termo que não agradaria a certas pessoas, afinal, o texto é meu, é livre de pensamento e natural.

É como se quisesse escrever para mim mesmo, para que assim, eu me visse no que foi escrito. Tipo aquela sensação que se tem quando a gente vê um filme no qual o personagem principal tem a nossa cara, ou quando a gente escuta aquela música que conta toda história de um amor do passado que ainda mexe conosco.
Sei lá, parece loucura. É verdade que, mesmo sem se importar, ocorre o inverso e acabo me importando. Em todo o contexto me avalio, me regrando com normas e parâmetros a serem seguidos para que as pessoas que me conhecem ‘superficialmente bem’ não se espantem com um ser que elas não estavam acostumadas a ver falando e se expressando de tal modo. É que escrever é bem mais interessante, te leva pra outro mundo, atravessa a barreira do teu subconsciente e te faz lembrar de coisas que quando estamos na rotina estafante do dia-a-dia  não demos a mínima atenção. Embora às vezes canse e te falte palavras para expressar o que é verdadeiramente sentido naquele momento. Mas é aí que está o legal da história: ser prolixo. Isso mesmo, tentar rebuscar e ornamentar as palavras, até que um daqueles adjetivos impostos possa causar ambigüidade, mas sem tirar o sentido geral da historia. Sei lá... Escrevo e não me importo. Só me arrependo de não ter começado antes.





"Foi mais que uma surpresa, foi um choque. encontrar alguém falando que escrever é acima de tudo um ato de coragem. Coragem de se expor, de se arriscar. De olhar para dentro de nós mesmos e descobrir o outro, porque não existimos sem essa relação. Escrever é uma forma de falar aquilo que não pode ser dito. É mostrar o que muitas vezes não queremos em nós mesmos e dar para o leitor, como um presente feio e sujo, alguma coisa que entregamos sem esperar nada em troca. escrever é não deixar que o peso caia sobre nossas costas, porque o verdadeiro escritor é aquele que usa as palavras para se denunciar e denunciar o que o leitor nunca teria coragem de falar." 
(Do filme Bruna Surfistinha)

Numb for one day


Tudo um caos. Uma grande bosta. São muitas idéias aleatórias que surgem praticamente do nada em direção a algo que eu ainda não sei. Nem sei como fugir de tudo isso. Uma bagunça. Escrevo numa tentativa quase frustrada de me organizar, mas nem ta adiantando muito não. Nem relato para que leiam e opinem, menos ainda que critiquem meu modo de ser ou agir. Na verdade nem tinha a intenção de mostrar nada, é só mais um desabafo instintivo feito numa folha de rascunhos.
Eles estão certos, eu sei disso. Mas como posso dar razão a eles se meu pensamento não me dá escolhas suficientes para começar a mudar?
Ciente de que tenho que tomar um primeiro passo eu estou. Fora desta porta eles discutem. Atrás da parede fria e mal pintada, falam aos berros. Falam de soluções, mudanças. Citam a vida alheia como exemplos a serem seguidos, ou não. Querem me mudar. Sei que tô errado, é fato. Mas por trás de todo meu erro ainda sinto que existe uma razão. Talvez seja ilusão ou prepotência de alguém que não queira assumir que está totalmente errado. Nem sei mais. Nem sei mais de nada. Só quero que isso pare. Que saco!
Sabe, ás vezes me vejo num filme, daqueles bem singulares, como de Almodóvar, sendo um personagem banal, talvez um "semi-coadjuvante", se é que isso existe. Aquele sujeito que só aparece em algumas cenas bem fúteis. Só vive inerte, nem sente o meio em que está. Só mais uma massa corporal no meio de tantos outros desinteressantes, tal qual uma versão masculina da Macabéa, em A Hora da Estrela, de Lispector.  Nunca estive assim, ou já estive, mas nunca tive percepção e coragem para expressar nem que fosse num rascunho idiota como este. Tenho raiva, mas também não vou extravasá-la dando murros na parede, me sufocando aos gritos no travesseiro nem fumando inconscientemente até meus dentes caírem de podres... Não tenho mais perfil de adolescentezinho rebelde sem causa decente. Aliás, nunca tive. É tanta contradição no que digo que nem eu mesmo ás vezes me entendo. Só sei que meu estômago dói, a boca ta seca e a cabeça zonza como e tivesse ressacado, embora entorpecentes causem bem mais que isso.
Ouço o barulho do relógio indicando que as horas passam e eu nem aí. Um brega toca na rua de trás. Talvez mais um playboyzinho de merda com o som do carro ligado, bêbado, sem se importar com o sono dos outros. Ah, quem se importa mesmo?
Cansei de escrever. Basta. Fatos supérfluos descritos em letra borrada não me levam a nada, só a idéia de que to aqui perdendo tempo pra não ter que fazer alguma coisa mais útil. Sei que o sol nascerá amanhã normalmente e a rotina recomeçará, mas só queria que isso parasse. Só por hoje. Alguém tem um tarja preta aí?



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